Nem mesmo a baixa temperatura registrada nos últimos dias em Cuiabá fez com que moradores de ruas, andarilhos ou mendigos abandonassem as praças e becos frios da cidade. Das cerca de 100 pessoas abordadas pelo Centro de Triagem “Abordagem Solidária” da Prefeitura de Cuiabá, apenas 40 aceitaram ser recolhidas para o abrigo.
“Desde quando começou o frio estamos 24 horas fazendo esse trabalho de recolhimento, mas por causa do álcool e outras drogas muitos não aceitam”, disse o coordenador da casa, Henrique José de Andrade e Silva.
Na madrugada do último sábado (17.07), a polícia registrou a primeira morte por frio na Capital. O morador de rua, João Batista, de 53 anos, foi encontrado morto na rua Poxoréu, no bairro Alvorada, próximo ao terminal rodoviário da cidade.
De acordo com policiais da Central de Flagrantes e de Ocorrências Batista pode ter morrido em conseqüência da baixa temperatura na madrugada.
De acordo com o secretário municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano (Smasdh), Jader José Martins Moraes, entre o sábado e o domingo uma equipe de 16 pessoas percorreu, emergencialmente, os pontos principais da cidade como as regiões da rodoviária e praças como a Luiz Albuquerque, no Porto, e Ipiranga, no Centro. “Aonde havia mais gente era perto da rodoviária e nas imediações do shopping Três Américas”, informou.
Ele informou que ao todo a Smasdh já distribui oito mil cobertores para o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e às instituições conveniadas. Só no fim de semana, foram 80 mantas entregues a moradores de rua.
Atualmente, aproximadamente 200 pessoas encontram-se abrigadas nas casas mantidas ou que contam com apoio do município como o Albergue Municipal e o Missão Atalaia.
ABORDAGEM SOLIDÁRIA - A instituição realiza o serviço de recolhimento, triagem e encaminhamento de pessoas em situação de miserabilidade. Na abordagem, os agentes procuram ganhar a confiança dos moradores de ruas e mostram que na casa há mais segurança, comida e banho. Atualmente, o “Abordagem Solidária” abriga 70 pessoas.
Ninguém é forçado a abandonar a insegurança nas ruas. Porém, nos abrigos casa não é aceito o uso de drogas. Quem se recusa a ir para o abrigo recebe mantas e comida. “Com o apoio de instituições religiosas entregamos sapatos, bonés, cobertores e sopas quentes”, comentou o secretário Jader José. “Ninguém é obrigado a ir para um abrigo, mas estamos convencendo”, acrescentou. Quem quiser fazer doações ou solicitar mais informações podem entrar em contato pelos telefones 3645-6804 ou 3616-6655.
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Fonte: Diário De Cuiabá